quarta-feira, 26 de maio de 2010

Contista Convidada: Simone Marck

Simone Marck demonstra em seus melhores textos uma urgência e imediatismo que prende o leitor da primeira a última linha. Ao contrário do formato clássico do miniconto cujas linhas finais culminam numa explosão e dão sentido ao que foi dito antes, seus minicontos, assim como os da Joyce Carol Oates e alguns da Patricia Highsmith, possuem uma qualidade insidiosa e ameaçadora que vaza da primeira à última linha. Eles são menos uma bomba ou uma bala dum-dum que fazem o estrago de imediato e sim um veneno administrado diariamente na refeição durante meses, mata aos poucos e silenciosamente. Última Noite é uma...leiam!



ÚLTIMA NOITE


Por Simone Marck


Ela estava ali na cama, nua.
Holly, a jovem de cabelos ruivos e formas perfeitas, sentia novamente a sensação de vida correndo em suas veias. Uma noite de amor, de entrega, de perfeição absoluta... Há tempos não se sentia repleta como naquela noite. A lua deixava passar sua luminosidade pela cortina branca do quarto e Holly contemplava a face de Bruce. Era uma face branca de um quase garoto, mas com um corpo forte e bem exercitado de homem.
Aquela face tão branca transmitia uma irremediável sensação de paz. Holly levantou, vestiu a roupa, calçou suas botas de cano alto e antes de sair, olhou para o corpo sem vida do seu amado, que agora finalmente descansava em paz com uma estaca de madeira que ela mesma cravou em seu peito e, ela, vampira solitária, deveria seguir o seu caminho, sem nenhum homem para atrapalhar sua terrível sina.

FIM


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Simone Marck escreve contos,crônicas e poesias. Sua especialidade são temas da literatura fantástica e surreal voltados às dores humanas mais essenciais.

Outros trabalhos disponíveis em http://recantodasletras.uol.com.br/autores/simonemarck

5 comentários:

  1. ADOREEEEEEIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!!!!!

    escreva sempre simone

    Abração
    Adriano Siqueira

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  2. Eu sugeri a Simone que transformasse a Holly numa série de minicontos.

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  3. Muito obrigada, Adriano!

    Ramon - sugestão aceita. Tem mais um lá, chamado Natal sem sangue.

    Bjs

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  4. O conto começa bem sutil, e se resolve ferozmente com a mesma sutileza com a qual começou. Fantástico!

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  5. pois é, e tem um viés feminista pra lá de venenoso!!!

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